O sol chega perto do horizonte quando uma moto Factor 150 vermelha se aproxima e estaciona em minha frente. O piloto levanta a viseira, me entrega um capacete e uma mochila e, antes de me cumprimentar, diz rindo “hoje você vai ser minha mochilinha carregando a mochila”. Enquanto obedeço a ordem subentendida de subir na moto, vamos rindo sobre quem reconheceu o outro primeiro no ponto de encontro — o portão do campus Praia Vermelha da UFRJ, na Urca, Zona Sul do Rio de Janeiro. A mochila tem formato quadrado, é vermelha, estampada com o logo da empresa IFood, de um tecido vinílico e é grande o suficiente para comportar um cooler de isopor. O capacete não tem viseira. Prendo os dois ao meu corpo com travas, ambos grandes demais para mim e subo na garupa, enquanto o celular já apita com a primeira entrega.
Eu já havia conhecido Lucas Eduardo Marinho, de 30 anos, duas semanas antes, em uma corrida de moto pelo aplicativo da uber — eu indo ao Centro do Rio, ele como piloto. Além de rodar como motorista de aplicativo nas noites fluminenses, ele trabalha como entregador de um restaurante de Maricá, cidade onde mora que fica a 60 km do Rio, no horário de almoço. Na ocasião perguntei se ele tinha amigos entregadores e contei da minha intenção de acompanhar um por uma noite. “Pô, vem comigo que a gente vai nessa aventura”, foi a resposta dele.

ATO I: Perdidos
Duas semanas depois estávamos os dois descobrindo como é ser entregador pelo IFood na capital — até subir na moto eu não sabia, mas ele só tinha tido experiências com a plataforma em Maricá. Ainda na Av. Venceslau Brás, em Botafogo, na Zona Sul, o celular apitou com a primeira entrega: do shopping RioSul, também em Botafogo, à um condomínio no Cosme e Velho, Zona Sul. Entramos errado em três entradas diferentes do estacionamento do prédio até que descobríssemos a entrada específica para motoboys, a qual não tinha nenhuma sinalização. Em um micro estacionamento isolado, os entregadores desligam a moto e sobem por uma escada separada da entrada convencional de clientes. Não são vistos pelos consumidores do shopping.
O aplicativo define um tempo para a “coleta” — isto é, pegar a comida no restaurante -, e um tempo para a entrega ao pagante. Caso o motoqueiro não “colete” antes do previsto, a entrega é repassada a outro entregador e o primeiro motorista perde a corrida sem ganhar pelos quilômetros rodados na tentativa de coletar. Após nossa confusão no RioSul, Lucas quase perdeu a coleta por minuto. Depois, no caminho para a entrega, também nos confundimos com as várias vias de Botafogo, não subimos no Viaduto e tivemos que dar uma volta maior no bairro para conseguir chegar à Rua Pinheiro Machado, em Laranjeiras. Apesar da iminência do prejuízo de gastar gasolina sem receber pelos quilômetros a mais, ele se diverte comigo nos caminhos errados e ri quando me pergunta por onde seguir e eu escolho a opção errada.
“Somos dois perdidos na noite”, ele diz e, depois de alguns segundos em silêncio, completa que “somos dois perdidos na vida”.
Mesmo com toda a confusão, ele confia em mim quando sugiro que ele entre na Rua das Laranjeiras por baixo do Viaduto Eng. Noronha. Entregamos a encomenda na portaria de um condomínio no Cosme e Velho, e o porteiro nos passa o código de quatro dígitos passado ao cliente e sem o qual o entregador não pode seguir caminho. A troca de cifras serve para assegurar que a entrega foi realizada com sucesso. Assim que ele coloca o código, o aplicativo pede que ele faça um reconhecimento facial. Trata-se de um protocolo repetido durante toda a noite para garantir que a conta de entregador está sendo usada pela mesma pessoa cadastrada. A medida é dita como “de segurança”, e serve para impedir que uma conta e os benefícios de ter uma conta antiga sejam compartilhados. Há uma diferenciação de níveis entre entregadores mais experientes e motoboys que trabalham para a plataforma com menor frequência, e um claro incentivo da empresa para que a dedicação ao serviço seja o maior possível. Como Lucas não costuma rodar tanto pelo Ifood, não tem tanta demanda do aplicativo. E, por isso, passamos algum tempo esperando uma nova corrida entre uma entrega e outra.
Paramos na Praça São Judas Tadeu e, assim que sentamos, Lucas olha para cima e percebe que é possível ver o Cristo Redentor próximo. Ele interrompe o quer que estivéssemos conversando e se empolga com a vista: “eu sou crente, não porque vou à Igreja, mas porque acredito nos ensinamentos DELE, em CRISTO”, diz apontando. Ele acredita que Deus conversa conosco por outros humanos e me conta a história de um homem que o abordou enquanto ele vacinava o filho. O homem fez algum favor para Lucas, ao que ele respondeu com “obrigado”. O sujeito anônimo, então, teria dito que não somos obrigados a ninguém nessa vida, a única obrigação do humano é ter fé e morrer quando Deus quiser. Desde então, Lucas só agradece com “gratidão”.

A parada tinha sido para esperar a próxima demanda, mas principalmente para ele fumar seu primeiro cigarro de maconha da noite. “O pit stop é essencial”, fala rindo, “escreve isso aí no caderninho, que sem o pit stop a mente frita”, e começa a bolar um cigarro de seda com a planta tirada de uma pochete cheia de bolsos que carrega transversalmente no peito. Eu vinha anotando tudo que conversávamos na viagem em um caderno cinza pequeno para caber na palma da mão, e continuo escrevendo na frente de Lucas enquanto ele responde às minhas perguntas. Ele me pede para ver e, quando não consegue entender as letras garrafais pela velocidade da moto, começa a rir de novo. Para ele, as páginas estavam tão feias que eu deveria enterrar para que daqui a 500 anos, quando encontrarem o caderno, acharem que é um “novo dialeto”.

Da praça, partimos. Vou com o caderno pequeno o suficiente para caber na palma de uma mão e uma caneta em outra. Na Rua das Laranjeiras, ele acelera de repente, o vento bate forte em minha mão e me força a soltar a caneta. O estalo no asfalto rompe o som alto do vento que preenche a noite. Lucas também escuta. Eu tento não me desesperar. Sem ela, não posso registrar o que ele me diz. Ele enfia a moto na calçada para voltar alguns metros atrás. Eu vejo a caneta. Um Volkswagen Logan cinza passa. Sem atropelar. Um Fiat Uno branco passa. Sem atropelar. Um Fiat Spin táxi amarelo passa. Sem atropelar. “Três carros não atropelaram, vai lá, vai lá, deus tá com nois”, Lucas grita. Enquanto desço da moto, um Audi preto vem e estraçalha minha Bic preta. Os caquinhos de plástico espalhados no asfalto. A tinta brilhante no chão. “E agora? E agora?”, ele fica me repetindo. Eu procuro no bolso e acho outras canetas, num vislumbre de esperança. Nem a segunda nem a terceira caneta pegam. Seguimos mesmo assim.
(Em minha defesa, eu levara um microfone para gravá-lo, mas o vento batendo impedia que qualquer coisa fosse ouvida no áudio. Também levara meu celular, mas se eu tinha derrubado a caneta, podia muito bem derrubá-lo com a moto em movimento.)
Chapado, Lucas vira a cabeça para trás para me dizer, sorrindo enquanto pilota rua acima, que “a vida é boa demais”. No momento, decido ficar em silêncio, porque, geralmente, quando eu esperava, ele repetia e elaborava seus pensamentos. Dois minutos depois, já em outra rua, ele discorda de si mesmo: “é mentira, não é?”. “O que é mentira?”, eu pergunto. “Essa sensação… é uma ilusão da maconha. É uma falsa ilusão de felicidade”, ele reflete. Na primeira vez que tínhamos nos visto, ele disse que queria parar de fumar, ou pelo menos só fumar quando fosse “a hora certa” — e não três becks por dia, como era seu costume há anos. Queria “saber viver a realidade” sóbrio. Mas quando ele me encontrou pela segunda vez, não demorou muito para me informar que trouxera “a boa do Jacaré”. Mais próximo ao fim da noite, já depois do terceiro baseado, ele me confessou que não estava bem, que “os melhores momentos são sem maconha, que esses são de verdade.”
Depois de fumar, é “preciso matar a larica com um lanche”. Descemos a Rua das Laranjeiras, enquanto vou sugerindo lugares para comer. Ele não aceita parar em nenhum dos hambúrgueres que conheço na região, porque o que ele queria e chamava de “lanche” é o que eu chamo de salgado. Quando nos entendemos, indico uma lanchonete do lado oposto da rua. Ele vira a moto para tentar atravessar as quatro vias de mão dupla da Rua das Laranjeiras em meio ao trânsito, e eu reclamo que a rotatória é logo a frente. Ele desce a contragosto: “era só esperar que dava pra atravessar ali mesmo, não queria descer assim não; tô porque você pediu e gosto de ti, que você sabe como eu dirijo, sabe bem como eu dirijo em qualquer lugar. Não existe isso de lei de trânsito para motoboy, não”.
Paramos no Pin pin, uma lanchonete pro alto de Laranjeiras em que se come de pé porque não existem bancos. Quando entramos, a atendente parece segurar a risada, o que ele percebe e exclama “a moça tá querendo rir da gente, Bia” apontando com o braço esticado e o dedo muito próximo ao rosto da mulher. Todos começamos a rir da espontaneidade de Lucas, inclusive os funcionários da cozinha, os rostos reunidos em uma pequena janelinha pela qual observam a cena. Eu peço um pedaço de pizza portuguesa amanhecida e ele pede um joelho, uma mini coca-cola para cada. Pergunto à nossa colega de risada se ela teria uma caneta, e se eu poderia ficar com ela. Ela olha para os lados e para trás, conferindo se não está sendo observada e, com a negativa, me dá uma piscadela enquanto faz um joinha com a mão. Eu enfio a caneta no bolso sorrateiramente, despertando ainda mais risada em Lucas.
Seguimos para uma coleta no Mercado São José e, como já era de se esperar, nos perdemos e quase não chegamos à tempo da coleta — de novo. Não sei como, mas rodamos Laranjeiras inteira naquela noite, repetindo caminhos. Vou segurando a coca-cola dele, e ele agradece a Deus por ter uma assistente naquela noite. A entrega era em Ipanema.
ATO II: Destemido
No túnel Rebouças, o velocímetro visível no painel da moto chegou a apontar 150 km/h. Alta madrugada, poucos carros, Lucas aproveitou para meter o dedo na buzina e a mão no acelerador. O vento batendo em meu rosto mal me deixava ficar de olho aberto, sentia a mochila larga quase se perdendo de mim. Só ouvia a buzina em meio à cacofonia de motores e rodas se atritando com o asfalto e sendo ecoados naquele buraco no morro. Se enfiando no corredor entre carros, chegamos na Lagoa Rodrigo de Freitas num tempo que fez o túnel parecer ter menos de 2.800 metros de extensão. Nos entornos da Lagoa, diminuiu a velocidade para uma média de 90 km/h, mas começou a fazer zig-zag nos trechos sem carro. A essa intensidade na direção, minha reação foi desespero. Pensei na minha mãe, pensei que se eu morresse ali, ia dar um trabalho grande para meus amigos — que acompanhavam a localização que eu mandara horas antes -, pensei que não sabia como é o processo de reconhecimento de corpo e o que mais envolve uma morte de conhecido em acidente. Ele riu do meu desespero, mas diminuiu a velocidade. Não pelo medo, mas para conseguir se fazer ouvir enquanto defendia sua “diversão noturna”.
“Eu não sinto o perigo, não sinto o medo. Alguns riscos têm que ser corridos, tem bagulho que não dá pra obedecer, não. Pensa comigo, você sabe como eu dirijo… Será que andar a 100 km/h sabendo dirigir é mais perigoso que alguém que roda a 40 km/h sem noção de direção? Será que a gente controla? A gente não tá se matando, a gente não pode controlar a morte. A gente não tem que ter medo de morrer, que a gente tem uma missão. A gente não vai morrer nessa noite porque VOCÊ ainda tem uma missão para cumprir. Ou a gente tá nessa PORRA sem motivo? Não pode ser aleatório, não pode ser sem sentido, não pode…”
Ainda andando devagar para fazer seus argumentos, parou no sinal vermelho e me perguntou o que eu achava daquilo. Ri (nervosa) e disse que não tinha porquê a pressa. “Não é ter pressa, é não perder tempo, que tempo é precioso”, e arrancou com a moto mesmo o sinal ainda fechado. “Eu não consigo me preocupar comigo, mas eu me preocupo com a vida que eu carrego, que eu posso matar”, disse e começou, então, a me contar de seus — VÁRIOS — acidentes, a maioria na ponte Rio-Niterói.
Já em Ipanema, desci da moto, desprendi a mochila e tirei um pacote de papel pardo de dentro. Na pressa de cumprir com o tempo estipulado pelo Ifood, apertei o número do apartamento informado pelo aplicativo no interfone. Automaticamente o porteiro saiu correndo da recepção e veio receber a encomenda. Enquanto entregava a comida, o cliente atendeu o interfone e perguntou, seco e direto: “o que que foi, hein? Que que foi?”. Respondi que era entrega do Ifood, mas que já entregara para o porteiro, ao que escutei de volta “é pra isso que tem porteiro”. E desligou. Pedi desculpas ao porteiro e seguimos caminho.
Fizemos outra coleta no Shopping Leblon, onde também há uma entrada específica para entregadores. Nela, não se pode entrar com duas pessoas na moto, o que me fez ficar junto ao segurança/porteiro. “Cuida bem dela, viu?” disse Lucas ao homem, que riu. Na volta, o segurança concluiu nossa conversa com “lá em cima que é bom, aqui nóis é igual rato, só faz trabalhar”. Lucas, que acabara de chegar, respondeu, com uma piscadela: “aqui que a gente é feliz de verdade”.
Na segunda entrega em Ipanema, não tem porteiro visível, nem ninguém que responda ao botão de “portaria” no interfone. Então, apesar da experiência prévia, digito o número do apartamento no interfone. “Pode subir?”, pergunta a voz da caixa preta. “O senhor pode descer?”, peço com minha voz mais mansa. Dois minutos depois, um rapaz aparece e abre o portão só o suficiente para colocar o braço para fora e puxar o pacote de minha mão. Se vira sem dizer uma palavra, e, enquanto entra de volta no prédio, tenho que gritar pedindo o código de quatro dígitos, sem os quais não é possível confirmar a entrega no aplicativo. Ele responde já de dentro do prédio sem olhar para trás.

Seguindo pelas ruas do Leblon e Ipanema, os restaurantes de luzes amarelas e taças dispostas em mesas brancas tinham filas de mulheres de saias e homens de blusa social esperando para entrar. “Será que é muito caro aqui?”, me perguntou Lucas. “Muito”, respondi. No Satyricon, restaurante mediterrâneo na Rua Barão de Torres, o prato mais barato sai por R$150,00. Na esquina oposta ao restaurante, sentamos na calçada para Lucas fumar seu segundo baseado. Enquanto conversamos, somos abordados por um casal gringo que me pergunta, em espanhol, onde era o restaurante. Nem cinco minutos depois, um entregador vestido com bermuda amarela, camiseta amarela e boné amarelo com estampa da 99 food, em uma bicicleta também amarela passa e comenta do “cheiro bom” que vinha da maconha de Lucas.
“Qual foi?”, escuto de repente uma voz vinda de trás, sem ter percebido a aproximação de ninguém. Um homem todo de preto, já grisalho e quase careca, com um visível volume na cintura por baixo da camisa se aproxima. “Boa noite”, ele diz, seco, “tudo bem por aqui?”. Falando de como o bairro está cada dia mais perigoso, e de como tiros passam despercebidos, o suposto segurança parece tentar nos ameaçar a sairmos dali. Lucas parece não ver perigo e responde com simpatia. Mas decidimos sair dali quando o homem volta por onde veio.
ATO III: Brisado
Até podermos parar pela segunda vez, Lucas foi sendo tomado por uma ansiedade maior a cada hora. Depois do segundo baseado, Lucas voltou a andar mais devagar e, com a tranquilidade restaurada, resolveu me levar à praia. Sem colocar os pés descalços na areia como preferia, ele sentou na areia encostando as costas na mochila vermelha. Com a pochete de mil bolsos em mãos para bolar mais um cigarro de maconha, ele me pergunta “o que é a realidade?”. Por eu não ter dado a resposta que ele queria, mas perguntado o porquê de ele estar com essa dúvida, ele sugeriu que eu fumasse para “ficar brisada também”. Se o que eu sinto não necessariamente o outro sente, como o que eu sinto é o real? A realidade é feita de todas as realidades das pessoas? E, se a sua realidade muda, muda a realidade total? São as perguntas que ele me faz enquanto continua fumando. “É tudo física quântica, esses bagulho”, é a conclusão do assunto.

Lucas Eduardo é um homem solitário. Mora sozinho em Maricá, e não fala nunca sobre família. Trabalha sozinho, como entregador de um restaurante na hora do almoço, e como motorista de aplicativo quando quer tirar mais uma grana. E diz gostar de ser assim, que pouca gente consegue entender a “doideira da cabeça” dele. O único contato que tem com outras pessoas é levando na garupa de sua moto, e também por isso prefere a Uber ao IFood. Sua maior companhia, a maconha que ele busca religiosamente na comunidade do Jacaré, zona norte do Rio, parece traí-lo às vezes. Em nossa viagem, ele pareceu ser um homem conformado: diz não querer mais dinheiro, nem mais amigos, nem nada além da moto que já tem, nem sair de onde está. Ele junta dinheiro com a uber sem saber porquê, não tem o que comprar. Pergunto de algum sonho, ele admite não ter nenhum, mas me conta que quer aprender a sonhar.
“Meus dias como motoboy estão contados. Motoboy batalha para caralho e é digno, mas a vida é mais que isso. Tenho que descobrir o que que tem a mais na vida.” Eu pergunto como. “Eu vou fazer conteúdo para a internet, melhorar de vida e levar os meus amigos.” Esses, são outros homens solteiros da época da escola que trocam mensagens esporadicamente. “Que os meus evoluam comigo”, ele brada para o mar. Lucas confessa não saber por onde começar a fazer conteúdo para a Internet, porque sente que não tem a bagagem de conhecimento para explicar o que pensa e que, às vezes, “nem consigo prestar atenção nas coisas com o tanto de coisa que tem na minha cabeça”. Quando sugiro que ele tente escrever o que ele pensa para organizar tudo que quer falar no vídeo antes de gravar, ele sorri e diz gostar de conversar comigo porque eu “frito o cérebro” dele. Me mostra o braço para mostrar que está arrepiado com nossa conversa. Eu penso no vento frio que vem do mar.
“Por que eu tô falando tudo isso para você?”, ele diz interrompendo o que dizia até então. Em certo momento da noite, Lucas confessou: “você está dentro da minha cabeça”, ele me disse que eram essas coisas — as que eu escutava — que se passavam em sua cabeça quando ele andava sozinho e agora dizia em voz alta.
“Você é meu subconsciente personificado!”
Depois de confissões na areia, um terceiro cigarro de maconha e a demora para o aplicativo mostrar uma nova corrida, finalizamos a noite. Me levando para casa ele aproveita para abastecer no Posto Ipiranga na Rua Real Grandeza, em Botafogo. Se despede de mim com um abraço, me agradece “pela brisa” e segue seu caminho para Maricá, agora carregando a mochila nas próprias costas.

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